Na Trajetória, de Ronaldo Miranda, a parte de maior interesse polifônico fica no 2º tempo – A Constatação – que é um trabalho academicamente muito louvável. No final, há mais ousadias. O soprano fala e declama. Os instrumentistas emitem com seus próprios pulmões. Há inteligentes superposições rítmicas, silêncios, síncopas revitalizadoras... A peça conclui com a bela imagem sonora de uma pedra que, lançada num lago transparente, desperta toda a população dos peixes coloridos da ilusão. Essa conclusão deveria ser o ponto de partida de um futuro grande compositor”.

Antonio Hernandez, O Globo, Rio de Janeiro, 19/10/1977

 


" O Canticum Itineris, de Ronaldo Miranda, escrito para o Quadro Cervantes, é um caleidoscópio sedutor de técnicas antigas e modernas, onde não faltam pontos de referência para o ouvinte comum, ao mesmo tempo que se introduz a linguagem contemporânea... Talvez se pudesse recordar, a esse respeito, o que Stravinsky andou fazendo em matéria de pastiche...”.

Luiz Paulo Horta, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20/10/1979

 



“Interpretada por José Carlos Cocarelli, a Suite nº 3, de Ronaldo Miranda, revela reminiscências de Ravel levemente integradas a constâncias brasileiras. É uma peça bem pianística, com harmonias basicamente modais, que permitem ao intérprete uma gama de sugestões e andamentos...”.

Léa Freitag, O Estado de São Paulo, São Paulo, 26/7/1979

 


“Terras de Manirema, de Ronaldo Miranda, escrita com finalidades quase didáticas para um curso realizado este ano em Teresópolis, é uma cantata-miniatura no gênero em que Prokofieff fêz Pedro e o Lobo: uma história contada em música. O gênero é agradável e o compositor tem excelente domínio do seu material”.

Luiz Paulo Horta, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20/10/1981

 



“O momento máximo deste sábado de Século XX na Sala Cecília Meireles ficou com a realização de Ronaldo Miranda denominada Terras de Manierema. Trata-se de uma Cantata para Coro, Narrador e Orquestra de Câmera, sobre texto de Orlando Codá. Expressiva música. Particularmente nos trechos de brasilidade flagrante, fios de modinha tecendo um retrato da terra”.

Carlos Dantas, Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 22/10/1981

 

 

“There was better outlet for Mr. Szidon’s demonstrative virtuosity after the interval in Falla’s Fantasia Baetica, Villa-Lobos’ Rudepoema and a new Prologue, Discourse and Reflection, by the young Brazilian Ronaldo Miranda, where the near orchestral range and might of sonority Mr. Szidon drew from the keyboard helped to explain his considerable reputation as a recording artist”.

Joan Chissel, The Times, London, 7/10/1980

 

“Villa-Lobos’ volcanic Rudepoema was a tour de force and Ronaldo Miranda’s Prologue, Discourse and Reflection (first european performance) sounded as if written with the pianist’s particular gifts in mind”.

Bryce Morrison, The Daily Telegragh, London, 3/10/1980

 

“Sob a regência de Eleazar de Carvalho, o concerto da OSESP, no Teatro Cultura Artística, marcava a estréia do Concerto para Piano e Orquestra, de Ronaldo Miranda, que teve o autor como solista. A obra estava à altura da ocasião, representando uma leitura moderna do gênero concerto para piano: música contemporânea sem pretensões ao vanguardismo, que recapitula, em linguagem pessoal, um Bartók ou até um Shostakovich, e que cumpre uma função básica da música : atingir esteticamente o público e os próprios instrumentistas”.

Luiz Paulo Horta, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19/5/1983

 

“Perpassado de um espírito prokofieviano, o Concerto para Piano e Orquestra, de Ronaldo Miranda, é um diálogo constante entre o instrumento solista e a orquestra completa, ou com outros instrumentos, criando-se ilhas camerísticas dentro de um oceano de sons luminosos até os paroxismos finais, em que solista e orquestra nos engolfam numa avalanche sonora, que coroa uma obra madura, pensada, construída com arte extrema, bom gosto inatacável e inspiração candente. Gilberto Tinetti foi o extraordinário solista que extraiu da partitura todo o calor e graça que a permeiam. Karabtchevsky e a OSB deram-lhe o necessário apoio, com os diversos solistas que dialogavam com o piano brilhando intensamente em suas curtas, porém incisivas, intervenções”.

Antônio José Faro, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22/11/1983

 


“O Duo Paulo Moura-Clara Sverner (sax e piano) executou uma brilhante Fantasia, de Ronaldo Miranda, peça que parte de inflexões jazzísticas e românticas para um exuberante exercício de imaginação e virtuosidade”.

Luiz Paulo Horta, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3/4/1984

 

“...Impossível ser frio com uma peça tão rasgadamente jazzística como a Fantasia de Ronaldo Miranda, em que é notável o influxo de Radamés Gnattali...”.

Ênio Squeff, Folha de São Paulo, São Paulo, 4/5/1984

 

“Interestingly, it was two young South American composers to whom attention was drawn by their tone, which was, if not individual, warmed by a polished and personal message : Gabriel Valverde of Argentina and Ronaldo Miranda of Brazil. The former introduced himself with three movements, for string quartet, which were effectively presented by the New Budapest Quartet. The latter’s series Images, for clarinet and percussion instruments, displayed a rich rhythmic imagination and a feeling for dense forms sharpened by poignant turns”.

Magyar Nemzet, Budapest, 29/3/1986

 

“...A música de Ronaldo Miranda, já destacado por premiações em obras de piano e câmera, tem as influências esperadas e desejadas da arte italiana, francesa e alemã. Ela cresce expressivamente de ato para ato. Um texto de Machado de Assis seria impensável cantado em outro idioma. E o cuidado no trabalhar esse texto mostra o quanto compositor e libretista respeitam e se encantam com a linguagem incomparável do escritor...”.

Zito Baptista Filho, O Globo, Rio de Janeiro, 27/12/1992

 

“Os dois movimentos do Concertino de Miranda realizam um atraente jogo entre o piano solista e as cordas que o acompanham, dentro do próprio conceito e filosofia dessa forma musical, como nos é ensinado, de Mozart a Prokofieff. Ronaldo Miranda confere a este jogo equilíbrio estimulante, temperado por alegria e bom gosto...”.

Zito Baptista Filho, O Globo, Rio de Janeiro, 23/5/1993

 

“...A linguagem dessa Cantoria é uma síntese de tudo o que tem acontecido de bom e fecundo no campo da criação contemporânea. Da vigorosa entrada do violoncelo, no primeiro movimento, aos climas líricos que lembram o Ronaldo Miranda de Dom Casmurro, sua ópera ainda tão recente, chegando a um tema quase em coral que sugere, por sua vez, o último Penderecki, no seu absoluto despojamento, tudo é posto, ali, como reflexão para o ouvinte que não se fechou num determinado universo estético; que quer ver a música ir para a frente sem perder o contato com o que é humano, com as nossas vivências individuais e coletivas”.

Luiz Paulo Horta, O Globo, Rio de Janeiro, 27/4/1994

 


“The pianist Beatriz Roman gave compelling performances of two demanding solo works... Ronaldo Miranda’s Prólogo, Discurso e Reflexão draws from a standard-issue free atonality, but the piece surges and abates with organic power”.

Anthony Tommasini, The New York Times, New York, April 10, 1996

 

“...Mais adiante, Maria Teresa Madeira interpreta Prólogo, Discurso e Reflexão, de Ronaldo Miranda, outro momento onde o piano serve de veículo a pensamentos musicais bem estruturados e, sobretudo, interiorizados. Tanto o compositor quanto a intérprete se mostram absolutamente amadurecidos”.

Victor Giudice, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1/10/1996

 

“Taste and refinement defined pianist Max Barros’ artistry when he joined the West Virginia Symphony for Brazilian composer Ronaldo Miranda’s Concertino for Piano and String Orchestra, Saturday night at Charleston’s Municipal Auditorium. Miranda’s fine, understated work seemed a perfect fit for Barros’ elegant phrasing and noble tone. In two movements, without a true slow movement, the Concertino featured attractive thematic material informing precisely articulated forms. One didn’t miss a slow movement, since Miranda knit slower sections into the formal designs of both movements. This provided Barros with moments of reflection to show a poignant lyricism amidst displays of tasteful virtuosity”.

David Williams, The Charleston Gazette, Charleston, November 3, 1997

 

“...Triunfante também, mas em outro tom, é a Suite Festiva de Ronaldo Miranda, para grande orquestra sinfônica. Nenhum sentimento religioso explicitamente invocado, mas uma agilidade rítmica, uma maleável densidade das cordas em diálogo e uma movimentação alegre que deixaram, sem necessidade de apelo programático, a sensação de plenitude e agradecimento. Foi aqui que a OSB e Tibiriçá mais valorosos se mostraram, no nuançamento das texturas dinâmicas e do jogo rítmico da Toccata final”.

Clóvis Marques, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3/12/1997

 

“Consagradora acolhida na estréia da Sinfonia 2000 de Ronaldo Miranda... Numa fase que define como neotonal, o compositor chegou a um domínio fascinante dos recursos de uma orquestra”.

Clóvis Marques, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3/4/2000

 

“After the intermission, we came to the high point of the evening, the Serious Variations, by Ronaldo Miranda, transcribed by Paul Galbraith. After the haunting theme, we heard a series of variations that were quite simply some of the best writing for guitar ensemble I have ever heard. There was an extraordinary variety of moods and expression in theses variations, and the fascinating diversity of textures, timbres, articulations and dymanic contrasts was a continual source of surprise”.

Lyn Bronson, Bronson Piano Studio, Peninsula Reviews Carmel, California, November 2000.

 

“...No CD Liberdade, as peças que Ronaldo Miranda compôs para coro aparecem em versão de ótimo nível com o coral Canto em Canto... São, quase todas, peças curtas, cobrindo 30 anos de trabalho. Numa produção bastante variada, Ronaldo nunca ficou distante do canto coral; e nesse terreno tão sofisticado aparecem as características que são a sua marca registrada : perfeição de acabamento impregnada por um tipo muito especial de lirismo”.

Luiz Paulo Horta, O Globo, Rio de Janeiro, 31/12/2001

 

“Ho però lasciato volutamente per ultimo il track che amo di più in questo CD...Appassionata è, a mio avviso, una dei pezzi più belli e coinvolgenti che ho ascoltato negli ultimi anni (de gustibus, naturalmente)... Si direbbe che la vena compositiva per chitarra di Miranda si sai esaurita qui, ed è una vera disdetta, perché il compositore sembra aver perfettamente capito le risorse dello strumento... Ottima scelta quindi quella di Fabio Shiro Monteiro di riporoporre questo brano!”

Francesco Biraghi, Il Fronimo, Milano, April 2002

 

“Giuliano Montini é um pianista talentoso, e têm sido poucas, infelizmente, as oportunidades de ouví-lo. A ele coube, no início da segunda parte, o Concertino para Piano e Cordas, de Ronaldo Miranda, peça virtuosística de estilo leve e escrita muito segura. É obra de melodismo cativante, especialmente no segundo movimento, Allegretto, em que a um tema de contornos atraentes é dado um tratamento rítmico sincopado que torna a música agradável de ouvir”.

Lauro Machado Coelho, O Estado de São Paulo, São Paulo, 21/11/2002

 

“Do próprio Ronaldo Miranda é o pórtico do disco, através das Variações Sérias sobre um Tema de Anacleto de Medeiros. Originalmente pensada para quinteto de sopros, a obra não perdeu em nada o encanto de sua fatura ao ser transcrita para piano a quatro mãos (transcrição do autor). A execução de Bretas & Kevorkian assinala trouvailles de sensibilidade, decorrentes do apuro sonoro e da segurança técnica. A seguir vem o Tango, igualmente assinado por Ronaldo Miranda, equivalente a uma Tocata respingada de evocações bartokianas, a par com Piazzolla, e disposta num impetuoso arranco virtuosístico plenamente dominado pela capacidade técnico-interpretativa da dupla executante”.

Carlos Dantas, Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 11/12/2002

 


“Ronaldo Miranda’s Concertino for piano and string orchestra is one of that composer’s most popular works. It is neo-tonal and transparent in both its harmonies and scoring. Iruzun is particularly impressive in the more reflective passages that are characterised by their displacement of motifs (almost stellar in nature)”.

Colin Clarke, Classical CD Reviews MusicWeb (UK), April 2003

 

“Non potevano mancare pezzi braziliani nel CD di Graham Devine che, como già detto, deve molto della propria sensibilità musicale alla lunga permanenza nel Paese di Villa-Lobos. Ronaldo Miranda è un bravissimo compositore carioca, oggi pocco più che cinquantenne, che nel 1984 dedicò la propria opera prima per chitarra a Turibio Santos, intitulandola Appassionata. Il pezzo è stato recentissimamente pubblicato dalle Edizioni Orphée di Columbus e siamo lietissimi di ritrovarlo in questo CD poiché, fin dalla prima volta che lo abbiamo ascoltato dalle felicissime mani del chitarrista brasiliano Fabio Zanon, abbiamo avuto l’impressione che si tratasse di una vera bomba! ... un brano fortemente strutturato, che non nega un’ispirazione ai modelli classici, ma che se ne staccca com estrema intelligenza e autonomia, forgiando un’opera in cui il percorso porta a resultati diametralmente opposti a quelli cartesiani appena accennati: qui infatti è il tema più lirico e delicato che andrà a sottostare alla travolgente espressività di un pathos rude e irrazionale, ma ricco, ricchissimo di passione”

Francesco Biraghi, Il Fronimo, Milano, July, 2003

 

“Ronaldo Miranda was on hand to hear his Concerto for four Guitars and Orchestra given its first performance, which clearly pleased the audience. The composer covers no new ground in the piece but walks along familiar harmonic paths with keen ear for melodic hooks and vivid instrumental coloring (a scherzo that blends the guitars with the orchestra’s pizzicato strings is particularly effective). Much of the music is steeped in the sensual sounds and rythms of Brazil, adding to its instant appeal. The top-notch brazilian Guitar Quartet handled its solo work with elan. Again, conductor and orchestra excelled”.

Tim Smith, Baltimore Sun, Baltimore, June 8, 2004

 

"Ronaldo Miranda (Rio de Janeiro, 1948 -), though his catalogue includes some high modernist works, seems to have an essentially Romantic sensitivity deep down, and so it make perfect sense for his Festspielmusik (also for two pianos and two percussionists), written while in residence at the Brahms House in Baden-Baden, to combine elements of Brazilian music with liberal helpings of echt Brahms..."

Tom Moore in "Biennial Festival of Brazilian Contemporary Music 2005", Brazilmax.com

 

“...A um apólogo de sentido universal e intemporal, como ‘The Tempest’, cai muito bem a ambientação inequivocamente brasileira criada pela música de Ronaldo Miranda... Há momentos climáticos em que desabrocham números formalmente construídos, de cantilena elaborada e melodicamente atraente. Um dos mais felizes é o dueto de amor de Ferdinando e Miranda, no final do primeiro ato, que Portari e Rosana Lamosa, em grande forma vocal, executaram com apaixonado envolvimento.”

Lauro Machado Coelho, O Estado de São Paulo, 26/09/2006 (São Paulo)

“Conto moral e fábula política em tom de ‘féerie’, ‘A Tempestade’, última peça de William Shakespeare, ganhou pelas mãos de Ronaldo Miranda uma adaptação operística alegre e comunicativa... A música de Miranda tem um pendor para a expressão solar, o élan vital e a melodia fluente que dilui as tinturas mais escuras ou oníricas desta especulação sobre o poder e a traição, a pequenez humana e a grandeza do perdão. Mas também é verdade que ‘A Tempestade’ é uma obra de claridade e confiança na capacidade do homem de se reinventar na união, com boa dose de humor.”

Clóvis Marques in “Stratford-on Guanabara”, Opinião e Notícia, Rio de Janeiro, 25/09/2006

 

Ronaldo Miranda teve uma experiência prévia no campo da ópera : um excepcional Dom Casmurro, de 1992, então protagonizado por Paulo Fortes. A excelente Banda Sinfônica do Estado de São Paulo encomendou agora a ele ‘A Tempestade’, inspirada em Shakespeare. A partitura, impulsionada pelo fluxo poético, é convincente, dramática, cuidada e justa nos detalhes. Maravilhoso o modo como a orquestração, baseada nos instrumentos de sopro que constituem a banda sinfônica, se casa com as vozes, aclimatando personagens, sejam eles cômicos, aéreos, exaltados ou violentos”.

Jorge Coli, Folha de São Paulo, 29/10/2006 (São Paulo)

As Variaes Srias sobre um tema de Anacleto de Medeiros (o schottisch Yara, que Villa-Lobos tambm usou no Choros n 10) foram feitas originalmente para conjunto de sopros. Mas a verso pianstica, a quatro mos, d conta do recado. O tema nostlgico, remete a um Rio de Janeiro antigo. Ronaldo espoja-se nessa melancolia (o lado meldico sendo to caracterstico dele) mas, em seguida, introduz uma srie de comentrios geis, modernos, que do obra uma dimenso extra. Empolgante o Tango, tambm para piano a quatro mos, onde Ronaldo est conversando com Piazzolla e Bartk. E a srie pianstica completou-se com um Frevo escrito para uma programao especial do CCBB (o tema era o carnaval). De novo, msica que pe o espectador dentro do ritmo, carregado pelo mpeto da criao. O interessante que normalmente se pensa que a msica popular que livre, e que o compositor clssico vive sujeito a regras. o contrrio, como se v aqui : o clssico permite um espao de manobra com que nem sonha o compositor popular, abre horizontes insuspeitados; e, nesse frevo, as barreiras entre os gneros desabam estrepitosamente. S fica a boa msica.

Luiz Paulo Horta, O Globo, Rio de Janeiro, 28/04/2008

muito bom constatar que temos hoje uma gerao de compositores, no auge da maturidade, que escreve com a segurana e a felicidade que traem a presena do mestre. Edino j faz isso h muito tempo. Ronaldo Miranda (60 anos) e Almeida Prado (65) seguem pelo mesmo caminho, com uma sucesso de obras que provocam aquela sensao da coisa bem feita, do mistrio da criao artstica. Foi assim no sbado anterior, com a pea de Almeida Prado, que precisaria ser urgentemente repetida. E aconteceu neste sbado, com a Missa Brevis de Ronaldo. So peas que deixam para trs a famosa barreira entre o pblico e a criao contempornea problema que existiu enquanto a msica mais moderna se dedicava, digamos, a exerccios de linguagem. Agora no estamos diante de exerccios, a no ser que seja o exerccio da liberdade criadora. A Missa de Ronaldo, por exemplo, poderia ser chamada de ps-moderna, na desenvoltura com que ela percorre os mais variados estilos. Logo na soberba introduo orquestral, podemos ver como esto abolidas as fronteiras entre msica popular e msica de concerto o segredo da obra de um Villa-Lobos.

Luiz Paulo Horta, O Globo, Rio de Janeiro, 1/09/2008

 

“ Estamos (mal) acostumados a considerar que beleza e música contemporânea não se bicam. É uma das seqüelas do pensamento das vanguardas artísticas da primeira metade do século 20 : ‘ A música não deve enfeitar’ , dizia Arnold Schoenberg, ‘ mas ser verdadeira’ .

A arte das vanguardas, acrescenta o escritor Umberto Eco, recusa-se a colocar o problema da beleza : ‘ A arte deseja ensinar a interpretar o mundo com olhos diversos’ . E completa que ‘ o que será apreciado amanhã como grande arte poderá parecer desagradável hoje; e o gosto está sempre atrasado em relação ao aparecimento do novo’ .

E quando uma obra nova exala beleza, é entendida por todos e agrada já em sua primeira audição ? Não teria direito de cidadania contemporânea ? Isso aconteceu
anteontem na estréia mundial do Concerto para Violino e Orquestra, que a Osesp encomendou a Ronaldo Miranda para comemorar os 20 anos de Cláudio Cruz como spalla da orquestra.

E a resposta é : precisamos nos livrar da miopia do pensamento único das vanguardas. Numa era em que você tem a história da música inteira em seu iPod, todas as
músicas são contemporâneas. Qual critério sobraria ? Possivelmente, o da qualidade de invenção. E aqui Miranda demonstra total domínio de seu metiê, numa obra tonal até a medula.

Foram poucos mais de 20 minutos maravilhosos, durante os quais o impecável violino de Cruz terçava lanças ora com uma tapeçaria de percussão, rica porém delicada;
ora com as demais cordas e madeiras, no Prólogo e no Discurso, os dois primeiros movimentos.

A liga dos três movimentos iniciais é um intenso lirismo, que alcança o clímax no terceiro, uma melancólica Reflexão.”

João Marcos Coelho in “ OSESP em uma noite eletrizante” , O Estado de São Paulo, 24/04/2010 (São Paulo).