II Bienal de Música Contemporânea, 1977

Ronaldo Miranda nasceu no Rio de Janeiro, em 1948. Estudou Composição com Henrique Morelenbaum e Piano com Dulce de Saules, na Escola de Música da UFRJ.

Começou sua carreira como crítico de música do Jornal do Brasil e intensificou o seu trabalho como compositor a partir de 1977, quando obteve o 1º Prêmio no Concurso de Composição para a II Bienal de Música Brasileira Contemporânea da Sala Cecília Meireles, na categoria de música de câmera. Em 1978, foi selecionado para representar o Brasil na Tribuna Internacional de Compositores da Unesco, em Paris. Nos anos seguintes, recebeu inúmeros prêmios em Concursos Nacionais de Composição e também o Troféu Golfinho de Ouro (1981) do Governo do Estado do Rio de Janeiro.A Associação de Críticos de Arte de São Paulo (APCA) considerou suas Variações Sinfônicas a melhor obra orquestral de 1982.

Bienal 77
II Bienal de Música Contemporânea, 1977

Ronaldo Miranda participou de importantes festivais internacionais : o World Music Days, em Aarhus, Dinamarca (1983); a X Bienal de Música de Berlim (1985); o World Music Days, em Budapeste, Hungria (1986); o Aspekte Festival, em Salzburgo, Áustria (1992); e a série Musiques del nostre Temps, em Palma de Mallorca, Espanha (1992). Em 1984, foi feito Chevalier dans l’Ordre des Arts et des Lettres, pelo Ministério da Cultura da França e, em 1986, recebeu o 3º Prêmio no Concurso Internacional de Composição de Budapeste, com a obra Três Momentos para Violoncelo Solo, estreada em março de 1987, no Festival de Primavera da capital húngara. Em janeiro de 1988, foi contemplado com a Bolsa Vitae de Artes para compor a ópera Dom Casmurro, com libreto de Orlando Codá, que estreou no Teatro Municipal de São Paulo, em 1992.

  Foto: Roberto Rosa - 1988
Concerto 40 anos - MAM

Suas obras têm sido apresentadas nas principais salas de concerto do Brasil e do exterior, como o Queen Elizabeth Hall (Londres), a Tonhalle (Zurique), o Mozarteum (Salzburgo), o Teatro Colón (Buenos Aires) e o Carnegie Hall (Nova Iorque). Inúmeras peças de sua autoria estão gravadas por vários selos representativos (EMI-Odeon, Continental, RBM, Naxos, Delos, Dynamic, NCA, Lorelt, Granary, Comep, Kurarup, Paulus e Rioarte Digital) e muitas delas foram comissionadas por importantes instituições, como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Organização dos Estados Americanos, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Coral sueco Vokalensemble, o Quinteto Villa-Lobos, o Ministério da Cultura do Brasil e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

Em 1996, participou da série Sonidos de las Americas/Brasil, no Carnegie Hall (Nova Iorque), e, em junho de 2000, integrou a delegação que esteve presente à Semana de Música Brasileira, realizada na Hochschule für Musik, em Karlsruhe, Alemanha. Compôs, por encomenda do Ministério da Cultura, a Sinfonia 2000, em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Em setembro de 2001, recebeu da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo o Troféu Carlos Gomes, como melhor compositor do ano.

Baden Baden, Brahmshaus Studio, 2003

Ronaldo Miranda foi um dos nove compositores que participaram do projeto Amazônia Deslendada, promovido em 2003, pela Fundação Apollon de Bremen, musicando três poemas de Hermann Hesse, reunidos numa obra intitulada Unterwegs. As peças criadas para esse projeto foram estreadas em Berlim e Bayreuth, com a presença dos autores, sendo apresentadas em seguida em importantes salas de concerto da Alemanha, Áustria, Inglaterra e França. Em novembro do mesmo ano, a convite da Brahmsgesellschaft, Ronaldo Miranda foi artista residente no Brahmshaus Studio, em Baden-Baden, onde criou a obra Festspielmusik, para dois pianos e percussão.

Em junho de 2004, esteve presente à estréia de seu Concerto para quatro violões e orquestra, no Meyerhoff Hall de Baltimore, durante o The First World Guitar Congress. Comissionado pela Towson University, o concerto foi interpretado pelo Quarteto Brasileiro de Violões e pela Baltimore Symphony Orchestra, sob a regência de Andrew Constantine.

Por encomenda do violoncelista Antonio Meneses, escreveu a peça Etius Melos, como prólogo à Suite nº1 para Violoncelo Solo, de J.S. Bach. A estréia desta obra ocorreu em abril de 2005, no Teatro Cultura Artística de São Paulo, seguindo-se sua apresentação em várias cidades brasileiras. Ainda em 2005, foi comissionado pela Sala Cecília Meireles para escrever uma obra sinfônica em homenagem aos 40 anos da instituição. A peça composta foi intitulada: "Celebrare - uma Abertura Festiva" e a estréia se deu em dezembro, com a Orquestra Sinfônica Brasileira e Henrique Morelenbaum na própria Sala Cecília Meireles.

Em 2006, compôs – por encomenda da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo – a ópera “A Tempestade”, baseada na peça de William Shakespeare. A estréia ocorreu em setembro, no Theatro São Pedro, com regência de Abel Rocha e direção cênica de William Pereira, valendo ao autor o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

Como obra comissionada pela Sala Cecília Meireles, Ronaldo Miranda compôs em 2007 a Missa Brevis – o sagrado e o profano em celebração da Capela Real, peça que foi estreada em agosto de 2008 pela Orquestra Sinfônica Brasileira e o Coro Sinfônico do Rio de Janeiro, tendo como regente  Henrique Morelenbaum e como solista a meio-soprano Adriana Clis.  A Missa foi escrita em comemoração aos 200 anos da chegada ao Brasil de D. João VI e da corte portuguesa (1808-2008).

O ano de 2008 marcou também a estréia de sua obra sinfônica Plenilúnio – paisagem sonora em três hai-kais, peça comissionada pela Orquestra sinfônica da USP, responsável pela sua estréia na Sala São Paulo, sob a regência de Carlos Moreno. 

Ainda em 2008, Ronaldo Miranda participou omo compositor da série Klang der Welt / Brasilien, promovida pela Deutsche Oper Berlin, com a obra Trajetória (soprano e conjunto instrumental).

Em 2009, compôs o Concerto para Violino e Orquestra, por encomenda da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. A obra foi estreada pela OSESP em abril de 2010, na Sala São Paulo, tendo como solista Cláudio Cruz e como regente Roberto Minczuk.

Ronaldo Miranda ocupou vários cargos como jornalista, professor e administrador musical. Foi crítico musical do Jornal do Brasil, Professor e Composição da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Vice-Diretor do Instituto Nacional de Música da FUNARTE e Diretor da Sala Cecília Meireles.

Atualmente, é Professor de Composição do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

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